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Expressionismo nas artes plásticas


Texto: Cristina Tolentino
cristolenttino@gmail.com

pintura expressionista
Edward Munch - "Madona"
O expressionismo nasceu na Alemanha, nos anos que seguem a Primeira Guerra Mundial (na época de 1910). Época em que o espírito germânico busca se recompor do desmoronamento do sonho imperialista de Guilherme II. Um período histórico turbulento e decisivo, abrangendo a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa, a busca de instauração de uma república socialista na Alemanha, a instauração do regime burguês da república de Weimar.

"Nós não vivemos mais, somos vividos. Não temos mais liberdade, não sabemos mais nos decidir, o homem é privado da alma, a natureza é privada do homem...Nunca houve época mais perturbada pelo desespero, pelo horror da morte. Nunca silêncio mais sepulcral reinou sobre o mundo. Nunca o homem foi menor. Nunca esteve mais irrequieto. Nunca a alegria esteve mais ausente, e a liberdade mais morta. E eis que grita o desespero: o homem pede gritando a sua alma, um único grito de angústia se eleva do nosso tempo. A arte também grita nas trevas, pede socorro, invoca o espírito: é o expressionismo."

(Hermann Bahr - 1916)

Em seguida diz Kasimir Edschmid - 1917: "O artista expressionista transfigura assim todo o espaço. Ele não olha: vê; não narra: vive; não reproduz: recria; não encontra: busca. A concatenação dos fatos - fábricas, casas, doenças, prostitutas, gritos e fome - é substituída por sua transfiguração. Os fatos adquirem importância somente no momento em que a mão do artista, estendida através deles, fechando-se agarra aquilo que está por trás deles: o artista vê o humano nas prostitutas e o divino nas fábricas, e reintegra cada fenômeno no conjunto do mundo". (...) "Uma prostituta não é mais retratada arrumada e maquilada da forma como a sua profissão exige. Ela aparecerá sem perfumes, sem cosméticos, sem bolsinha, sem perna balançando, mas a natureza do seu caráter deverá sobressair de uma forma tão viva na simplicidade da forma que resultará saturada de todos os vícios, paixões, baixezas e tragédias com que são feitos o seu coração e a sua profissão. Não importa conhece-la em sua existência cotidiana: o chapéu, o andar, os lábios são apenas derivativos que não esgotam a essência do seu caráter. O mundo já existe, não teria sentido fazer uma réplica dele; a principal tarefa do artista consiste em indagar seus movimentos mais profundos e seu significado fundamental, e em recriá-lo. Cada homem não é mais um indivíduo ligado ao dever, à moral. À sociedade, à família: nessa arte, ele se torna apenas uma coisa, a maior e a mais mísera, torna-se homem": (...) "situado no cosmo, porém com sensibilidade cósmica; não se preocupa em viver a sua vida: atravessa-a; não reflete sobre si mesmo, mas vive si mesmo, não vagueia às margem das coisas, colhe-as bem no centro. Não é desumano nem tampouco super-humano, é apenas homem, covarde e forte, válido e vil, bom, banal, magnífico, assim como Deus o deixou no momento da criação. As coisas estão todas perto dele, acostumado como está a perscrutar o seu significado e a sua essência autêntica. Não tem inibições, ama e combate de forma direta; apenas a força do seu sentimento o guia e o dirige, não um pensamento contaminado. Portanto, pode chegar a exaltar-se, a fazer nascer em seu espírito grandes visões."

pintura expressionismo
James Ensor - "A Intriga"

Capa da revista DIE BRÜCKE
Capa da revista DIE BRÜCKE, marco do aparecimento do expressionismo no seu primeiro período.

O expressionismo é o caminho para uma concepção existencial da arte: colher, na realidade, sob o invólucro do transitório, o núcleo eterno, imutável da própria arte. Golpear o centro da realidade, não permanecer em sua periferia. Pressionar a realidade para dela fazer brotar o latente secreto. Daí surge a típica deformação expressionista, que encontramos principalmente nas obras de Van Gogh (1853-1890), Edward Munch (1863-1944) e James Ensor (1860-1949), que maior influência exerceram sobre os expressionistas alemães. Munch expôs em Berlim, no ano de 1892, apresentando cinqüenta e cinco obras de sua autoria. Van Gogh, Gauguin e Cézane, em Munique no ano de 1904; Van Gogh na cidade de Dresden, em 1905, e em Berlim no ano de 1908.

Em 1904, foi fundado em Dresde, o primeiro grupo de expressionistas, com o nome de Die Brucke (A Ponte). Alguns artistas que participaram deste grupo: Ernst L. Kirchner (1880-1938), Karl Schmidt (1884), Erich Heckel (1883-1970), Emile H. Nolde (1867-1955), Max Pechstein (1881-1955). A primeira exposição deste grupo aconteceu em 1906 e a primeira manifestação conjunta em 1913. Na arte destes artistas predominava o vivido sobre o visto. A sua pintura nunca é agradável, hedonista, brilhante. Ao contrário, nela está sempre presente algo de estridente, de grosseiro, de híbrido. "Não acreditem nesta civilização", gritam os personagens expressionistas de Nolde.

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Alguns artistas do movimento expressionista:





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