Sobre o sentido do ofício, Barba ainda nos fala: "ofício quer dizer a construção paciente de uma própria relação física, mental, intelectual e emotiva com os textos e com os espectadores, sem uniformizar-se com os modelos que regulam as equilibradas e convalidadas relações vigentes do centro do teatro. Quer dizer, compor espetáculos que saibam renunciar ao público usual e saibam inventar os próprios espectadores.
Tudo isso é ofício: técnica do ator, da cena, da dramaturgia, competência administrativa. Só um pequeno resto é força de ideal e espírito de rebelião." Mas este pequeno resto é o que Barba diz ser o essencial e tem a ver com uma parte de nós sujeita a "contínuas obnubilações, a períodos de silêncio, de cansaço - um mar fértil e tenebroso que, às vezes, parece inundado de luz e, outras, nos assusta e se reduz à infecunda amargura do sal" (...) "cada um deveria ser capaz de traduzir estas metáforas à sua linguagem pessoal".
Cristina Tolentino ( cristolenttino@yahoo.com.br )