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Jim Morrison

Jim Morrison com Pamela
O cantor com sua namorada PAMELA

The Doors
Da esquerda para a direita: Robby Krieger, John Densmore, Jim Morrison e Ray Manzarek.

Jim Morisson preso
Após ser preso durante show em New Haven

Morrison em concerto
Morrison em concerto da Banda The Doors

Morrison no México
Morrison no México em 1970



Jim Morrison


Por: Pedro Kalil

"Eu sou aquele que, para ser, deve fustigar o que me é inato", escreveu o escritor francês Antonin Artaud sobre a tarefa do artista moderno de penetrar dolorosamente nas camadas mais profundas de sua subjetividade, libertando-se das determinações exteriores e fazendo do próprio corpo um altar em que o espírito - no que este tem de abstrato e pretensamente universal - é imolado em benefício de uma escritura incandescente e intransferível. O autor de O teatro e seu duplo formulava assim uma das palavras de ordem de um projeto que remontava às aspirações ao sublime dos românticos (Schiller, Blake, Wordsworth, Keats), às epifanias grotescas de Baudelaire e às estadias infernais de Rimbaud, desembocando no credo libertário dos surrealistas e, mais tarde, na anarquia alucinógena da geração beat.

Por seu vigor e longevidade, esse programa estético-existencial estaria destinado a resistir até mesmo a um mundo dominado pelas formas mais sutis de alienação e determinação: o mundo da indústria cultural e de sua "dessublimação repressiva", segundo a expressão cunhada por Marcuse para designar essa engrenagem perversa em que o gozo passa a ser melhor controlado e docilizado na medida em que é intensificado por uma mercantilização que esteriliza seu fluxo outrora desordenado, caótico e, por isso mesmo, subversivo.

Obviamente, os mártires dessa resistência teriam de ser aqueles artistas que conseguiram estar no centro da civilização do espetáculo, utilizando os instrumentos da comunicação de massa para inocular, no coração daquilo que nos aliena, uma esperança de transcendência - ao preço da própria lucidez e da própria vida. E, dentre esses artistas, nenhum outro encarnou melhor o mito trágico do herói da contra-cultura do que Jim Morrisom, o poeta, compositor e líder da banda de The Doors, que morreu em Paris há trinta e cinco anos, no dia 3 de julho de 1971.

O roqueiro que incendiou a cena pop dos anos 60 foi a personagem arquetípica de uma geração que reagiu violentamente ao clima asfixiante da sociedade norte-americana do auge da guerra fria e que buscou na literatura, no cinema, na música e nas drogas uma experiência de ultrapassamento, de rejeição do senso comum da classe média. Filho de um oficial da marinha, James Douglas Morrison nasceu em 8 de dezembro de 1943, em Melbourne (Flórida), mas fixou-se na Califórnia depois de vários anos de peregrinação da família por diversas cidades dos Estados Unidos. Contra a vontade do pai, com quem sempre manteve um relacionamento tenso (a ponto de declarar em entrevistas que era órfão, embora o capitão Steve tenha sobrevivido ao filho), Jim cursou a Escola de cinema da Universidade da Califórnia (UCLA), onde conheceu Francis Ford Coppola - que muitos anos depois, ao dirigir Apocalypse Now (1979), prestaria uma homenagem amigo, incluindo na trilha sonora do filme a canção "The end", clássico dos Doors, que foi uma espécie de metáfora musical do inferno da Guerra do Vietnã transposto pela tela pelo cineasta de O poderoso chefão.

No Natal de 1964, Morrison viu os pais pela última vez, pouco antes de o capitão Steve se mudar com sua mãe para Londres, onde serviu nas Forças Navais dos EUA na Europa. Em 1965, Jirn abandonou a UCLA depois da recusa, pelos organizadores de uma mostra destinada a avaliar o trabalho dos estudantes, de um filme experimental que ele havia produzido.

A ruptura radical com o passado, no entanto, deu lugar a laços muito mais viscerais. Na Escola de Cinema, ele conhecera Ray Manzarek, com quem passou a conviver em Venice Beach - pequena cidade litorânea perto de Los Angeles habitada por artistas movidos a LSD e que começavam a lançar as bases das comunidades hippies. Morrison mostrou alguns de seus poemas a Manzarek (que era tecladista da banda Rick and the Ravens) e logo surgiu a idéia de formar um conjunto, ao qual se juntariam o guitarrista Robby Krieger e o baterista John Densmore.

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