Neste artigo serão abordados filmes que, embora versem sobre bandas e músicos da década de 60, foram realizados posteriormente. Também entrarão alguns filmes sobre a época que tenham uma trilha sonora marcante.
Bandas
Começando por um filme de uma banda que não existiu:
The Wonders – O sonho não acabou (
That thing you do!). Em 1996,
Tom Hanks escreveu, dirigiu e atuou nesse simpático retrato do sucesso de uma banda no início da década de 60, quando a ingenuidade das músicas era mais comum. Os atores que formam a banda no filme tocaram juntos durante várias semanas antes das filmagens para poderem soar como uma banda verdadeira, mas a maioria das suas músicas foram dubladas por músicos profissionais. A canção "That Thing You Do!" foi indicada ao Oscar e até hoje pode ser ouvida nas rádios. O compositor dessa música (e de outras da trilha) é
Adam Schlesinger, da banda
Fountains of Wayne. Tom Hanks também compôs músicas para a trilha.
Um outro filme que mostra o estrelato de uma cantora também fictícia é
A Rosa (
The Rose), dirigido por
Mark Rydell em 1979, vagamente inspirado na carreira de
Janis Joplin. O filme mostra a última turnê de Rose (interpretada por
Bette Midler), que teve uma vida focada na famosa tríade sexo, drogas e rock and roll. Isso, somado às pressões das diversas apresentações, leva a cantora à auto-destruição. A trilha sonora é original e foi composta para o filme sem canção alguma de Janis.
Mas nem tudo é ficção, como é o caso de
The Doors. Dirigido por
Oliver Stone em 1991, centra-se na história do carismático vocalista
Jim Morrison. A produção sofreu várias críticas por não retratar fielmente alguns momentos da história da banda e mostrar Morrison somente vivendo no limite entre razão e loucura.
Ray Manzarek, o tecladista da banda, foi um dos maiores críticos e não ajudou na realização, ao contrário dos outros dois integrantes da trupe californiana, que até aparecem em pequenos papéis. Outros músicos também fazem pontas no filme, como
Eric Burdon (
The Animals),
Billy Idol e
Eagle Eye Cherry.
O que mais chama a atenção mesmo (e é um dos principais motivos para se ver a produção) é
Val Kilmer, que “incorporou” Jim Morrison. Foi tão convincente que ninguém reclamou do fato de Kilmer ser bem mais alto que o antigo cantor. Nas cenas em que aparece cantando é o próprio ator que está interpretando a música, tanto que os remanescentes da banda não souberam distinguir entre a voz do Kilmer e Morrison. Uma curiosidade: entre vários atores cogitados para o papel estava o nome de
Ian Astbury, o vocalista do
The Cult e que esteve excursionando com Manzarek e Robbie Krieger como
The Doors of the 21st Century.
Outra importante banda que está para ganhar uma cinebiografia é o
The Who.
Mike Myers está confirmado para o papel do malucaço baterista Keith Moon, mas novas notícias sobre esse projeto ainda não foram divulgadas.
Comportamento
Vários filmes retrataram a década de 60 e ter rock na trilha sonora é quase inevitável. Um dos primeiros foi
Shampoo, de 1975, dirigido por
Hal Ashby. É uma história ambientada em 1968 sobre um cabeleireiro (
Warren Beatty) que tem várias amantes e não se decide com qual ficar. Trata-se de uma sátira ao comportamento sexual da época. A trilha sonora foi composta por Paul Simon e também traz canções dos
Beatles,
Jimi Hendrix,
Beach Boys e outros.
Um dos tipos característicos dos anos 60 é o
hippie, aquela pessoa que levava uma vida simples seguindo o preceito da “paz e amor” – e, por falar em amor, praticava o amor livre – vivia em harmonia com a natureza e tinha a fama de não tomar banho. Os
hippies foram retratados no teatro num musical off-Broadway chamado
Hair, em 1967. A peça obteve um grande sucesso mundial e foi encenada no Brasil no início da década de 70. A versão cinematográfica demorou para se concretizar, sendo lançada apenas em 1979, com direção de
Milos Forman. Conta a história de um jovem que sai do interior e vai para Nova York, onde encontra um grupo de
hippies e ficam amigos, mas ele deve ir para o Vietnã. Fazem parte do musical as famosas canções “Aquarius” e “Let the Sunshine In”. Forman fez um belo filme, captando o espírito da época, o problema é que foi lançado quando o sonho dos
hippies já havia acabado. Se lançado dez anos antes, seria o filme de uma geração, mas acabou ficando apenas como uma homenagem tardia.
O feminismo foi um movimento que marcou a década e algumas mulheres foram bem radicais nisso.
Valerie Solanas era uma delas, mas também tinha vários problemas pessoais que a levaram a escrever um manifesto pregando a extinção dos homens. Conheceu
Andy Warhol e ficou obcecada com a idéia de que ele deveria produzir um roteiro dela. Como ele a ignorou, Valerie atirou no artista. Essa história é contada no filme
Um tiro para Andy Warhol (
I shot Andy Warhol), dirigido por
Mary Harron em 1996. A trilha sonora tem uma verdadeira mistura de estilos:
MC5, Joe Tex, Wilco, Dionne Warwick, REM, Luna, Lovin' Spoonful, Stephen Malkmus, Yo La Tengo, Tom Jobim e
Sergio Mendes.
Um outro filme que tem Andy Warhol como personagem está sendo produzido:
Factory Girl. Conta a história de
Edie Sedgwick, modelo protegida pelo artista que conviveu com o
Velvet Underground e morreu de overdose em 1971.
Lou Reed detonou o roteiro, dizendo que era “nojento”. A banda
Weezer anunciou que irá regravar "Heroin", clássico do Velvet, para a trilha sonora.
Vietnã
Um fato histórico muito importante da década foi a Guerra do Vietnã, que refletiu bastante na sociedade e nas artes. Vários filmes abordaram a guerra e o rock é uma constante na trilha sonora destes filmes. Um que liga diretamente a guerra e a música é
Bom dia, Vietnã (
Good morning, Vietnam), de 1987. Conta a história do radialista e militar Adrian Cronauer (
Robin Williams) que traz humor e músicas de jovens para a rádio do exército americano. O verdadeiro Cronauer criticou muito o filme, afirmando que não retratava o que aconteceu e havia muita invenção no roteiro. Apesar de ser mais lembrado por "What a wonderful world", de
Louis Armstrong, o importante aqui é a programação da rádio, com canções de
Bob Dylan, The Beach Boys, James Brown, Frankie Avalon & Annette Funicello (da Turma da Praia, comentado no artigo anterior) e várias outras pérolas pop da época.
Um dos primeiros filmes a retratar a Guerra do Vietnã (e talvez o melhor até hoje) foi
Apocalipse Now, de 1979, dirigido por
Francis Ford Coppola. Conta a história de um tenente que tem a missão de encontrar um coronel que enlouqueceu no meio da selva. O antológico início ao som de "The End", do The Doors, é um dos (vários) grandes momentos do filme. A canção retorna na seqüência final. Há uma cena no barco em que os soldados estão ouvindo a rádio do exército e toca "(I can't get no) Satisfaction", dos
Rolling Stones. Também há "Suzie Q" na cena do show das coelhinhas da
Playboy.
O grande diretor
Stanley Kubrick também deu a sua visão sobre o conflito em
Nascido para matar (
Full metal jacket), de 1987. Na trilha sonora, os Rolling Stones também estavam presentes com "Paint It black", além da banda
The Trashmen com "Surfin' Bird".
Vários outros filmes sobre o Vietnã têm o rock em sua trilha sonora, para representar tanto o absurdo de uma guerra quanto o espírito de liberdade dos jovens da época. Como a lista iria longe, vamos ficar só com esses.
Maio de 68
Outro fato marcante da década foi o Maio de 68, em Paris. Este acontecimento foi abordado no filme
Os Sonhadores (
The Dreamers), dirigido por
Bernardo Bertolucci em 2003. O longa conta a história de três jovens cinéfilos (um americano e um casal de irmãos franceses) que ficam um mês dentro de um apartamento enquanto os distúrbios aconteciam nas ruas. Além de várias referências cinematográficas, o filme traça do comportamento da juventude e suas idéias. O rock não poderia ficar de fora, há até uma discussão sobre quem seria o melhor guitarrista:
Clapton ou Hendrix. A trilha sonora é marcante e tem nomes como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Bob Dylan, The Doors e
Grateful Dead. Há também uma versão de "Hey Joe", cantada pelo ator
Michael Pitt. No DVD tem videoclipe da música, provando que o ator, além de saber atuar, também sabe cantar. Michael Pitt também aparece atuando e cantando em outros filmes que serão abordados futuramente.
Texto: Rober Machado
Colaboração: omelete.com.br
12/6/2006
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