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Elvis Presley e os anos 60


Texto: Léo Falabela

Elvis Presley

Elvis Presley

Nascido na cidade de Tupello, Mississipi, em 8 de janeiro de 1935, Elvis Aron Presley era filho de uma família religiosa muito pobre e cresceu em meio ao clima de medo da segunda guerra mundial e ao ódio racial entre brancos e negros. Cantando em corais de igrejas, Elvis mudou-se com a família em 1948 para Memphis, onde foi porteiro de cinema e motorista de caminhão. Lá, numa ensolarada tarde de 1953, ele se deparou com um anúncio numa praça que dizia: "faça seu próprio disco: duas canções por 4 dólares". O estúdio era uma filial da gravadora Sun Records e Elvis resolveu gravar "My Happiness" para presentear a mãe no dia de seu aniversário. Uma secretária da gravadora, talvez impressionada com a boa aparência do rapaz, anotou seu nome e recomendou que ele voltasse alguns dias depois para tentar uma audiência com o produtor Sam Philips. Philips costumava afirmar que faria uma montanha de dinheiro se encontrasse um branco com voz e ritmo de negro. A mina de ouro se concretizou em Elvis Presley que possuía mais do que o necessário para ser um estouro de vendas: além de voz e ritmos incríveis, a cara de baby-face e o jeito de bom garoto que faltavam a ídolos como Chuck Berry e Little Richard. Na Sun Records, ele foi inicialmente contratado como cantor de estúdio, atuando ao lado de nomes da música country.

Até que apareceu em sua vida um tal de "coronel" Tom Parker (embora nunca tivesse tido essa patente militar) e levou-o para a poderosa RCA Victor, tornando-se seu empresário. Em 1956 enquanto Elvis Presley, empresariado pelo "coronel", consolidava seu sucesso com hits como Heartbreak Hotel, Blue Suede Shoes (que deveria ter sido lançada pelo seu autor, Carl Perkins, não tivesse este sofrido um grave acidente de carro que o deixou paralisado um ano) e regravações de músicas já consagradas como Tutti Frutti (com Little Richard) e Shake Rattle and Roll (com Bill Haley) tornava-se urgente para outras gravadoras achar artistas que pudessem rivalizar Elvis ou ao menos conseguir alguma repercussão usando de seu estilo. Era um grande desafio que esbarrava na total e plena aceitação pelo público jovem encantado com seu vigor e sua sensualidade, originando o apelido Elvis the Pelvis (devido ao rebolado, até aquele momento, completamente inusitado), além de muitas controvérsias: os mais velhos ficavam chocadíssimos e o achavam indecente tanto que, em suas primeiras aparições na TV, só era mostrado da cintura para cima, por determinação da censura. Enquanto isso, milhões de jovens em todo o mundo apaixonavam-se e aderiam à sua energia, transformando Elvis no símbolo de sua rebeldia. A Sun tentando se livrar do estigma que a perseguiria de ser apenas a gravadora que descobriu Elvis e o vendeu por uma ninharia, lançava Roy Orbison. Como pianista já tinha em seus estúdios aquele que viria em pouco tempo a ser seu grande trunfo e tentativa mais eficiente de igualar o sucesso de Elvis, Jerry Lee Lewis. A Capitol Records responderia a Elvis com Gene Vincent, marcado pelo estilo do vocalista que balançava em torno de sua perna parada (na verdade paralisada em virtude de um acidente de moto) e pelo hit Be Bop A Lula. Se juntando à banda Crickets o até então inexpressivo Buddy Holly, de Nashville, provava com os hits açucarados como That Will Be The Day e Peggy Sue que o rock poderia ser domado e usado associado um bom moço e letras românticas sem segundas intenções.

Mas nada disso poderia tirar de Elvis Presley a coroa e o cetro definitivo de "O Rei do Rock".

A partir da década de 60 começou porém a ficar clara a super-exploração do mito Elvis Presley, forçado a gravar cada vez mais músicas, nem sempre primando pela qualidade, ao mesmo tempo que lançava filmes e compilações de seus maiores sucessos. Para agüentar a maratona de shows, apresentações para a TV, filmagens e gravações, Elvis passa a consumir avidamente medicamentos, antidepressivos, moderadores de apetite e anfetaminas. Surge então a figura de um artista decadente, gordo, parado no palco, cantando praticamente apenas baladas românticas e tendo abandonado completamente seu estilo inicial.

Elvis Presley morreu em 16 de agosto de 1977, oficialmente vítima de um ataque cardíaco. A necropsia revelou a ingestão de oito ou mais drogas (entre outras morfina, valium e valmid), responsáveis por sua morte.

O fim de Elvis Presley foi chorado no mundo inteiro e os fã-clubes continuam vivos. Seu pioneirismo e influência sobre uma vasta geração de músicos são incontestáveis. Acredita-se que ele vendeu mais discos do que os Beatles, e é praticamente impossível um levantamento completo de sua imensa discografia.

Enquanto isso acontecia na América, do outro lado do Atlântico, na conservadora Grã-Bretanha, mais precisamente em Liverpool e Londres, um novo movimento surgia e daria novas e definitivas cores ao ritmo que até hoje domina a cena musical do planeta Terra.

Mas, pela sua importância, isso é um assunto para o próximo capítulo.


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