
“...cheguei à conclusão de que a obra de arte não pode hoje, estar hermeticamente encenada em uma convenção estável de conduta. Essa “exuberância” e essa “comodidade”, tão sedutoras em aparência me parecem suspeitosas, como se mascarassem o completo desaparecimento do poder de ação. O que tenho procurado criar é uma realidade, um conjunto de circunstâncias que não mantêm com o drama
nenhuma relação
nem lógica
nem analógica
nem paralela ou inversa.
Procuro criar um campo de tensões.
Este se cumpre em um clima de escândalo. Porém em arte chocar é o contrário. É um meio real de atacar o pequeno pragmatismo generalizado do homem de hoje, um meio de despejar o caminho de sua imaginação sufocada, de fazer-lhe captar conteúdos novos que não têm lugar dentro do pragmatismo e do espírito calculador.
O teatro que chamo Zero não representa uma situação zero já determinada. Sua essência é o processo orientado até o vazio e às zonas zero.
Desmontado de toda organização que se forme.
Decomposição geral de toda forma.
Repetição automática.
Desinformação. Deformação da informação. Decomposição da ação. Brandura (doçura) na representação. A representação representando a não representação. A representação imperceptível.
Os estados psíquicos estão isolados, são gratuitos, autônomos e como tais, podem ser fatores artísticos. “Apatia, melancolia, amnésia, associações desorganizadas, depressão profunda, falta de reação, desalento, vida vegetativa, excitação, esclerose, impotência completa, esquizofrenia, delírios maníacos, sadismos, etc.”
O espetáculo desta fase foi “El loco e a monja” (1963)
Por: Cristina Tolentino
( cristolenttino@yahoo.com.br )

