Biografia de Kazuo Ohno
 
 
Renato Roschel
06/04/2004

Criador máximo do butoh, figura máxima da dança-teatro expressionista japonesa, Kazuo Ohno nasceu em 1906, na cidade de Hakodate, em Hokkaido, no Japão.

Em 1920, transferiu-se para o Escola Secundária Pública de Ohdate, na província de Akita. Praticou diversos esportes, como esqui e o tênis, e chegou a estabelecer um novo recorde dos 400 metros rasos na província: 57 segundos.

Em 1925, Kazuo formou-se na Escola Secundária Pública de Ohdate, depois trabalhou como professor substituto numa pequena escola primária de 3 professores e 60 alunos, em Hokkaido.

No ano seguinte, ele foi para Tóquio e entrou na Escola Atlética do Japão. Neste mesmo ano, foi convocado para o Exército. Em 1928, depois de cumprir o serviço militar, retornou para a Escola Atlética, onde estudou Exercícios dinamarqueses e exercícios de expressão do alemão Rudolf Bode.

Em 1929, Kazuo assistiu uma performance da dançarina espanhola Antonia Mercé (La Argentina) que muito o impressionou. Esta experiência o faria seguir, mais tarde, a carreira de dançarino. É também neste período que ele se converteu ao cristianismo.

Em 1933, casou-se com Chie Ohtake. Em seguida, foi estudar na Escola de Dança Baku Ishii durante um ano.

Em 1934, assistiu a uma a uma apresentação do dançarino alemão Harold Kroizberg que também o comoveu profundamente.

Em 1936, começou a estudar com Takaya Eguchi, discípulo de Mary Wigman, e aprendeu “Die Neue Tanz” (a nova dança) na Alemanha, passando a ser um dos líderes da dança moderna no Japão.

Em 1938, ano em que nasce seu 2º filho Yoshito, Ohno é designado segundo tenente do exército japonês. No ano seguinte, o Exército do Japão o envia para o fronte de guerra no norte da China.

Em 1945, após lutar na China, Palau e Nova Guiné, Ohno acabou prisioneiro de guerra de uma tropa australiana. Libertado no ano seguinte, voltou ao Japão onde retomou os estudos de dança com Takaya Eguchi.

Em 1949, ele promoveu a sua primeira apresentação de dança moderna, no Kanda Music Hall, em Tóquio. Em 1953, realizou uma apresentação, junto com o seu grupo de dança, na televisão estatal japonesa NHK.

No ano seguinte, Kazuo Ohno conheceu Tatsumi Hijikata, com quem, em 1960, participaria do Tatsumi Hijikata Dance Experience Concert. É nessa época que pela primeira vez aparece o termo Dança da Trevas (Ankoku Butoh). O primeiro espetáculo de butô, combinação de teatro e dança, “Kinjiki”, surgiu, baseado em romance homônimo do escritor Yukio Mishima (1925-70).

Em 1969, Kazuo fez parte do filme “A Portrait of Mr. O” de Chiaki Nagano; em 1971, fez parte do filme de dança moderna, “Mandala of Mr. O — Playful Journey in Splended Dream”, também de Chiaki Nagano; e, em 1973, participou do terceiro filme filme de Nagano, “Book of the Dead Man, Mr. O”.

Em 1980, Kazuo foi convidado a participar do 15º Festival de Nancy, como expert em dança, acompanhado de seu grupo. Nesse ano ele fez performances em Nancy, Strassbourg, Londres, Stuttgart, Paris e Estocolmo.

Em 1981, participou do Festival Internacional de Teatro, em Caracas e fez demonstrações e palestras em Nova York e Genebra. Em 1982, participou do Festival de Munique. Fez performances em Montpellier, Arles, Genebra, Yverdon, Copenhagen, Barcelo e Avignon. Em 1983, se apresentou em Parma, Milão e Como na Itália; e em Jerusalém, Haifa e Tel Aviv, em Israel. Nesse mesmo ano fez uma viagem até o Mar Morto.

Em 1985, participou do Butoh Festival, em Tóquio, com o trabalho “Mar Morto”, acompanhado por seu filho Yoshito Oho.

Em 1986, ele participou do Festival de Adelayde, Austrália. Fez também várias apresentações no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília) e na Argentina.

Em 1992, apresentou-se no Festival Internacional de Londrina, e, em 1997, apresentou-se novamente no Brasil.

Para o diretor de teatro, Antunes Filho, “Kazuo Ohno é um expoente, juntamente com Charles Chaplin e Picasso. Kazuo é o meu guru. Vi pela primeira vez o trabalho de Kazuo na França, no Festival de Nice, em 81 ou 82 e fiquei fascinado com aquilo, com a sua visão do mundo completamente diferente. Estava lá no festival, nunca tinha ouvido falar do trabalho dele e fui ver. A sala estava quase vazia, mas aquilo me fascinou tanto que voltei para vê-lo todos os dias que se apresentou. Foi um impacto. Para mim Kazuo trouxe uma luz em meio a tanta coisa conservadora no teatro brasileiro. Kazuo vai muito mais a fundo nas questões da vida. Fui até o estúdio dele no Japão para assistir seu trabalho e fiquei embevecido. (...) Ele tem algumas referências ocidentais em seu trabalho, como o catolicismo, mas me identifico com ele. É ele lá, com o catolicismo, e eu aqui, com o budismo. Seu trabalho tem influência direta no meu, adotei referências do butô em meu trabalho.”

Fontes: Dicionário de balé e dança; Editora: Jorge Zahar; 1989 Butoh: Dança Veredas d’alma Editora Palas Athena; 1995 Folha de S.Paulo


 
LITERATURA:

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