Entrevista
Site Caleidoscópio: A sua primeira formação é odontologia. Quando começou a migrar da profissão odonto para as artes plásticas, e em especial, para escultura?
Fátima Santiago: As artes plásticas sempre fizeram parte da minha vida. Desde muito pequena gostava de desenhar pessoas, seus movimentos. Por várias vezes, utilizei os desenhos para falar de situações ocorridas. Só mais tarde é que comecei a fazer uso das cores. Aí veio a pintura. Quanto à escultura, acho que ela foi determinante na escolha da profissão de dentista. Sempre vi neste profissional um artista, um escultor trabalhando com pequenas escalas.
Quando me aposentei, decidi voltar à UFMG (onde cursei Odonto) afim de estudar gravura e escultura. Não planejava uma outra profissão. Este lado profissional veio acontecendo normalmente e, hoje, me vejo totalmente envolvida com a escultura.
SC: Você tem várias criações de troféis e monumentos em praças. Como foram surgindo estes convites?
FS: Os convites sempre apareceram de uma forma natural, a partir de pessoas que vão conhecendo e se interessando pelo meu trabalho.
SC: Como que é seu processo criativo?
FS: Bastante variado. Às vezes, é um sentimento, um acontecimento, algo que meche comigo, com as minhas emoções. É algo que vem de dentro da gente.
Quando vou executar um trabalho que me foi proposto, uma obra pública por exemplo, procuro conhecer o local para o qual ela se destina, a história, o sentimento que determinaram esta proposta. É preciso que eu me apaixone pelo projeto, pois, só assim poderei fazer um trabalho que leve às pessoas em contato com a obra, os conhecimentos, momentos de reflexão e emoção esperados.
SC: Que tipo de material que você mais gosta de trabalhar, e porque?
FS: Até hoje apenas me interessei em trabalhar com o aço, com chapas de aço.
Talvez por considerar um desafio conseguir fazer com que as chapas de aço possam levar às pessoas sentimentos - de leveza, movimento, emoções tão diferentes daqueles provocados por este mesmo material em seu habitat natural.
SC: O tamanho de uma escultura diferencia na criação? E qual foi a maior obra que já criou?
FS: O processo criativo é quase sempre o mesmo. Uma idéia, um desenho, um protótipo e, a realização da obra através da chapa de aço. Quando é um trabalho com dimensões maiores surge sim uma dúvida, uma expectativa de que o resultado não se modifique com a alteração da escala. Às vezes, aparece a necessidade de se fazer alguma mudança na execução da obra. Porém, estes desafios me encantam. Gosto de desafios.
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