| O Poeta da Pintura
Com as mãos da inteligência
e do coração, acho mais verdadeiro dizer com o coração
da inteligência, que se chama intuição - esse prodigioso
artista agarra o invisível, envolve-o em cores, traços, espessuras,
silêncios, movimentos - e nos revela o segredo poético das formas visíveis.
Não me canso de descobrir a poesia secreta do corpo feminino toda
vez que contemplo um nu de Nando, muita vez apenas insinuado ou belamente
transparecido, contudo sempre estrelado.
Nem me acanho de dizer que a beleza corporal da mulher se torna mais real,
e a cada instante mais misteriosamente viva, quando reinaugurada no desenho,
na aquarela, na gravura ou no óleo; quero dizer quando transfigurada
pelo poder poético de Fernando Fiuza.
Esse privilegiado criador que as Minas Gerais deram ao nosso tempo não
é simplesmente um pintor admirável: é um poeta da pintura.
Onde pousa a sua mão, ali floresce a poesia.
Thiago de Mello |