DVD mostra o bom e velho Macca
Arthur G.Couto Duarte - EM Cultura
18 de março de 2010
Por anos a fio, a mídia especializada considerou as canções mais xaroposas ou tolas dos Beatles como sendo obra exclusiva de Paul McCartney. Se John Lennon era o filho querido do rock, Paul sempre foi o bastardo meloso do pop. Hoje, devidamente perdoado por ter cometido atrocidades solo como
Mary had a little lamb e
Silly love songs, o decano Macca vem se reabilitar por sua decisão de abraçar e explorar seu passado junto aos Fab Four. Uma auspiciosa mudança de rumos que culminou no CD duplo/DVD Good evening New York City.
Gravado a céu aberto ao longo de três concertos, em julho de 2009, Paul não se fez de rogado, desfiando um repertório em que dois terços do material derivavam do catálogo dos Beatles. Ainda que ninguém saiba ao certo o que teria motivado tal reencontro com as próprias raízes, a nova direção musical que Paul tem buscado já lhe rende aclamação transcontinental.
Erguido na mesma área do famigerado Shea Stadium, onde há exatos 45 anos os quatro cabeludos de Liverpool abriram a era de ouro dos grandes concertos de rock, o Estádio Citi Field só poderia ser mesmo inaugurado por um ex-beatle. Para aqueles que não tiveram a sorte de ser um dos 109 mil pagantes que testemunharam os concertos, o CD/DVD reproduz parte da aura mágica que cercou o evento.
Com esplendoroso áudio surround em DTS 5.1 e uma edição de imagens bem mais caprichada que os prévios In red square e The space within us, o vídeo privilegiou imagens da banda de Paul em detrimento das tomadas de público. Outro acerto: desta feita, todas as canções estão na íntegra, sem cortes para dar lugar a depoimentos ou insossas cenas de bastidores. Mesmo não sendo excepcional, o trabalho assinado pelo diretor Paul Becher faz por merecer aplausos.
Alternando um set list das melhores coisas que produziu solo ou com os Wings com gemas recolhidas do fundo do baú iê-iê-iê – uma fumegante
I’m down ganha o troféu da noite, embora
I saw her standing there, Day tripper, Paperback writer e Drive my car não se mostrem menos impactantes –, Paul conseguiu cobrir de forma compreensiva o amplo espectro de sua carreira.
Em tributo aos beatles já falecidos, ele comanda uma tocante versão de
Something, seguida por um medley de
A day in the life com
Give peace a chance. Há de se registrar ainda a inclusão de duas músicas de
The Fireman, seu projeto eletrônico junto ao baixista Youth, do Killing Joke, como a provar de uma vez por todas que Paul sempre foi tão ousado e aberto a experimentações quanto John Lennon.
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