O ator Howard Spence (Sam Shepard) sabe o que é um bom faroeste. Montou toda a sua carreira interpretando mocinhos de bangue-bangue. Mas o que um dia foi um ícone hoje é uma sombra. Conhecendo-o depois, dava até para prever que um dia ele surtaria. E o dia chegou. Howard estava nas filmagens de O Fantasma do Oeste, sua tentativa de voltar ao estrelato, quando abandona o set em cima de um cavalo, com o figurino do personagem no corpo. Foge sem rumo - e acabará tendo que enfrentar sua própria história.
Nos anos 80 o alemão Wim Wenders era sinônimo de cult. Se agora ele retorna à geografia de sua obra-prima Paris, Texas, o Meio Oeste dos Estados Unidos, não é de forma nostálgica, mas arriscando novas linguagens. Estrela solitária é um filme que atiça os sentidos. O Velho Oeste, antes monocromático, monocórdio, mitológico, agora é conspurcado de luzes, cacofonias, exageros de cores vertiginosas. Do barulho de um barbeador elétrico a um carro com a lataria forrada de espelhos, que avança cena adentro como um globo de discoteca sobre rodas, Wenders capta tudo nesse seu retorno ao Oeste, com o ouvido apurado e os olhos abertos de quem ainda se abre a experimentações.
Critica sobre o filme Estrela Solitária
