Notas conheça nossa hospedagem Faça seu cadastro envie-nos um email
O compositor Ednardo lança livro e álbum Massafeira 30 anos

O compositor Ednardo lança livro e álbum Massafeira 30 anos


O compositor Ednardo lança livro e álbum Massafeira 30 anos, que recupera a história do movimento musical cearense que marcou a MPB nos anos 1970


O compositor lembra que projeto Massafeira contou com artistas de todo o Brasil, abrindo nova fronteira artística fora do eixo Rio-São Paulo.


Matéria: Mariana Peixoto
Jornal Estado de Minas

“De 10 em 10 anos as pessoas ‘matam’ as que vieram antes e inventam outras para a próxima década.” Não há rancor em Ednardo quando faz essa afirmativa, mas o incômodo fica no ar, já que o cantor e compositor cearense, hoje com 66 anos, teve seu auge produtivo entre os anos 1970 e 1980 e não lança um disco há uma década. Sempre referendado pela mesma canção – Pavão mysteriozo, inspirada na literatura de cordel – ele, à sua própria maneira, relembra o passado olhando para o futuro.

Há muito sem qualquer vínculo com a indústria, lançou, pela sua própria editora, Aura, livro e álbum que buscam prestar contas não somente com sua própria história, mas com toda uma geração de artistas. Durante quatro dias de março de 1979, um grupo de 100 músicos, instrumentistas, cantores e compositores, a grande maioria cearenses, se reuniu no Theatro José de Alencar, em Fortaleza, para a chamada Massafeira. Quatro meses mais tarde, voltaram a se encontrar, agora no Rio de Janeiro, para a gravação do álbum Massafeira livre, disco duplo que só veio a público um ano mais tarde, pela extinta gravadora CBS. É esse material que Ednardo, um dos produtores do evento e do disco, reuniu.

O livro, um calhamaço luxuoso de 2,5kg, leva o nome de Massafeira 30 anos. Na verdade, ficou pronto em 2010, mas somente este ano Ednardo saiu a campo para lançá-lo, em show. Já foi a Fortaleza, Rio e São Paulo e espera rodar ainda bastante com ele. O disco veio junto, depois de um processo curioso. “Fizemos um projeto e financiamos a gravadora (no caso, a Sony Music, que detém o acervo da CBS). É surreal demais, e eles não sabiam que tinham essa preciosidade. O que podemos fazer? Sempre que possível, temos que lembrar a esses jovens diretores artísticos da importância da música brasileira”, comenta Ednardo.

Entre os nomes que participaram do disco, cujas 24 faixas foram produzidas por Ednardo e Augusto Pontes, estão Belchior, Patativa do Assaré, Mona Gadelha, Teti, Rogério e Régis Soares. Há ainda participação de Robertinho do Recife, Tuti Moreno, Fausto Nilo, Petrúcio Maia, e mais uma série de outros. Túlio Mourão, na época envolvido com o grupo Pessoal do Ceará, gravou alguns dos teclados do álbum (veja depoimento abaixo). Uma delas ficou de fora, Frio da serra, em que Ednardo divide os vocais com Fagner.

“O fundamental para entender o que foi a Massafeira é lembrar que não foi um produto de gravadora. Foi um projeto feito fora do eixo Rio–São Paulo que reuniu pessoas de vários lugares além do Ceará, como Rio Grande do Sul, Piauí, Bahia e Minas. Foi feito totalmente fora dos parâmetros daquele tempo, pois não havia nenhum tipo de controle dos meios de comunicação, gravadora e nem sequer da censura federal”, acrescenta Ednardo. Para o livro, ele reuniu também uma série de pessoas. “Quando lançamos a ideia, chegou uma quantidade absurda de propostas, que daria um livro de 600 páginas.” A edição chegou à metade disso.

Clube Ednardo fala do Massafeira comparando o momento do fim dos anos 1970 com o que ocorreu em Minas Gerais no início da mesma década, com o Clube da Esquina. “O que a gente fez, naquele momento, foi abrigar tudo e todos, as diversas vertentes da música que havia.” Até 1979, o cearense Ednardo vivia em São Paulo. Depois, voltou a Fortaleza, onde ficou até 1985, quando se radicou, definitivamente, no Rio de Janeiro. Ainda que seu nome seja pouco falado nos dias de hoje, afirma nunca ter parado. “Ando numa bicicleta. Se parar de pedalar, ela cai.”

O álbum mais recente é também em conjunto, Pessoal do Ceará, com Amelinha e Belchior (2002). “Tenho muitas coisas gravadas e a minha produção está decidindo como lançar. Tenho feito trilha para cinema, discos em estúdio, mas não quero me preocupar com isso, delego para os produtores que trabalham comigo. Pois gravar um disco, obviamente, tem gastos. E como as gravadoras tradicionais não estão mais investindo nisso, cabe aos autores como disponibilizar. O que ocorre hoje é o que você faz num dia, no outro está na internet. Então, a gente tem que discutir o que significa a democracia na internet”, conclui.

Pássaro formoso


A canção Pavão mysteriozo foi lançada no álbum O romance do pavão mysteriozo, estreia em disco de Ednardo, de 1974. A música, no entanto, só se tornou sucesso dois anos mais tarde, quando foi incluída na trilha sonora da novela Saramandaia, da Globo. “Atingiu um número de execução pública quase que insuportável. Era de manhã, de tarde, de noite, em todas as rádios, durante quase um ano. Em contrapartida, isso traz uma má vontade muito grande, tanto que passei um bocado de tempo sem tocá-la nos meus shows”, relembra Ednardo, que faz questão de recordar que não é somente essa canção pela qual ele é lembrado, como ainda por Terral e Berro. Hoje, a situação é diferente. “O artista não pode, de maneira alguma, criar atrito com seu público. O que a gente faz, às vezes, é tocar metade da música e passar para outra. Porque nos shows que tenho feito, vejo uma quantidade grande de jovens que não tinham nem nascido naquela época. Então, esse público vai ali para escutar algumas músicas. Se eu não fizer isso, fica meio estranho.”

Ver outras Notas

space
space
Hospedagem | Cadastro | Email | (31) 3281.1196 | Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil | By: Caleidoscópio

pinos
Cadastre seu email para receber nossas novidades
pinos
Twitter, siga-nos.