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Janis Joplin

Janis Joplin, 40 anos sem o mito


Arthur G.Couto Duarte - EM Cultura

Que os fãs de Elis Regina me perdoem, mas quem fez muito mais por merecer o epíteto de “furacão” na música pop foi Janis Joplin. Na data de hoje, quando decorrem exatos 40 anos de sua morte, a cantora texana merece ser lembrada como uma das mais poderosas personalidades a emergir do turbulento cenário musical da década de 1960.

Precursora do estilo “o diabo veste saia”, Janis era capaz de liberar – em estúdio ou no palco – mais energia que uma dúzia de usinas nucleares. Branca, sua apropriação do blues negro era única, devastação bruta que até hoje calcina fundo a animalidade emocional dentro de nós.

Janis foi bem mais que estrela do rock. A bem da verdade, melhor seria pensar nela como expressão artística – catarse ambulante a personificar o estilo de vida que caracterizou toda a geração hippie, de forma extrema.

Nascida e educada na provinciana Port Arthur, no Texas, Janis amargou infância de dor e ressentimentos. Como forma de combater a introversão, abraçou a poesia contestatória dos beats e o folk de protesto alardeado por Bob Dylan. Um simbólico abrir de janelas que, aos 17 anos, levou-a a fugir de casa e seguir para a costa da Califórnia.

On the road, o blues lhe chegou aos ouvidos por acaso, por meio de um velho registro de Leadbelly. Logo, o fascínio pelo gênero fez dela ávida colecionadora dos discos de cantoras como Odetta, Bessie Smith, Big Mama Thorton e Ma Rainey.

Apadrinhada por Chet Helms, um dos figurões da então embrionária cena rock de San Francisco, Janis viu a sorte mudar quando foi apresentada a uma banda sem vocalista chamada Big Brother & The Holding Company. O resto, como diz o clichê, é história.

De roldão, rolaram o Monterey Pop Festival (impossível evitar a taquicardia quando, pela milionésima vez, ela irrompe, em mescla perfeita de controle emocional e abandono, pelo standard Ball & chain), o álbum Cheap thrills, porres homéricos, escândalos (inclusive em espeluncas e inferninhos do Rio de Janeiro!), a definitiva rendição de Summertime, Woodstock e outros concertos meteóricos ao lado de bandas do porte de Kosmic Blues e Full Tilt Boogie.

Sex-symbol transfixada pela própria vulnerabilidade, Janis se deixou fisgar de vez pela heroína quando estava prestes a ser alçada ao topo da fama mediante seu álbum Pearl. Difícil viver tão intensamente e durar muito: em 4 de outubro de 1970, seu corpo seria encontrado inerte em um motel de Hollywood. Como fatídico epitáfio, a última faixa prevista para ser gravada por ela, Buried alive in the blues (Enterrada viva pelo blues), acabou incluída no disco, em incompleta versão instrumental.

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