Instalação de Neville D’Almeida
O cineasta e artista plástico belo-horizontino Neville D’Almeida acredita que todo brasileiro deveria passar uma temporada com índios ao menos uma vez na vida. “Comendo, bebendo e dormindo como eles, que é para ter contato com outra realidade e poder fazer alguma coisa por este país. Mas não é para tirar foto e sair correndo para tomar banho”, afirma ele. A consciência de que poucos têm essa disponibilidade o inspirou a trabalhar na instalação TabAmazônia, que poderá ser vista de 27 de abril a 11 de julho, na galeria de artes visuais do Oi Futuro, em Belo Horizonte. A entrada é franca.
Trata-se da reprodução de uma oca de 50 metros quadrados e 5 metros de altura, construída com sapê, cipó, bambu, varas e troncos e coberta com palha. Suas paredes e o teto são utilizados como espécie de tela para projetar simultaneamente sete filmes, que mostram o cotidiano de uma aldeia indígena, incluindo rituais sagrados, hábitos do dia a dia e danças tradicionais, entre outros aspectos. Cada um deles tem aproximadamente 15 minutos de duração e trilha sonora baseada em cantos dos índios.
REFAZER
O artista se inspirou na aldeia caiapó Ukre, no Pará, onde ele e o filho, o fotógrafo Tamur Aimara, passaram 10 dias. Na ocasião – o ano era 2003 –, eles filmaram o documentário Maksuara – Crepúsculo dos deuses e captaram as imagens exibidas em TabAmazônia. Durante esse período, viveram numa oca com 700 índios da tribo, observando como era o cotidiano deles. Ao todo, reuniram 20 horas de material gravado. O projeto também dará origem a um livro de fotografia sobre o assunto.
O público pode se sentar ou deitar-se em esteiras dispostas no chão da oca, o que contribui para o efeito de imersão total na cultura indígena desejado pelo artista. “Chamo isso de ‘além cinema’, pois é a reconstrução de uma oca amazônica com projeção digital múltipla, no chão, parede, teto e até nos corpos e rostos das pessoas. São mostrados vários aspectos da vida dos índios, como alimentação, pintura corporal, banho, dança, caça, música, festas e a relação com a natureza. É uma obra interativa e sensorial”, explica ele.
“Foi uma experiência maravilhosa. O que achei mais significativo foi a harmonia entre os índios. Temos muito mais o que aprender com eles do que eles conosco. A começar pela forma como se relacionam em família e em grupo”, diz.
A curadoria da nova instalação é de Alberto Saraiva. “Ele nasceu no Amazonas e tem sensibilidade para esse tipo de obra”, elogia Neville. A oca é a mesma usada na estreia da instalação, em novembro passado, no Oi Futuro carioca. Depois de ser vista na capital mineira, a instalação só voltará a ser exibida em 2011, em Curitiba (PR), na Alemanha e, provavelmente, Nova York (EUA).
Local: Galeria Oi Futuro
Endereço: Av. Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras - Belo Horizonte
Data: 27 de abril a 11 de julho de 2010
Horário: de terça a sábado, de 11h às 21h e domingo de 11h às 19h
Informações: (31) 3229-3131 /
www.oifuturo.org.br
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