Festival Música do Mundo
Milton Nascimento prepara disco com compositores e músicos da cidade de Três Pontas/MG.
Produzido pelo artista, trabalho vai se chamar ...e a gente sonhando.
A
2a Edição do Festival Música do Mundo, que acontece de
9 a 12 de setembro de 2010, traz aos palcos de Três Pontas: Milton Nascimento, Wagner Tiso, Gilberto Gil, Jorge Vercillo, Celso Blues Boy, Pablo Milanés, Sá & Guarabyra, 14 Bis, Tunai, Mallu Magalhães, Änïmä Minas, Ark2, Rasgacêro, Ummagumma, entre outros...
Veio de um catálogo da Billboard a inspiração de Milton Nascimento para novo disco. Há pouco mais de quatro anos, ele teve acesso à edição especial da revista norte-americana, sobre música brasileira, na qual descobriu referências de artistas de sua cidade, Três Pontas, no Sul de Minas Gerais. A descoberta inusitada motivou Bituca a percorrer redutos da cidade em busca de possíveis talentos. Descobriu na informalidade de armazéns, vendas e botequins dezenas de situações surpreendentes. Do rock à MPB, inúmeros cantores e instrumentistas impressionaram o veterano, que não teve dúvidas ao convidar todos eles para participarem de próximo CD, que vai ser lançado em setembro, no Festival Música do Mundo, na mesma Três Pontas.
“Eu e Marco Elizeo chegamos a esses lugares no meio da noite, quando só se veem estrelas e estrada de terra”, lembra Milton Nascimento sobre o início da aventura que o levaria a locais ainda mais remotos. Na terceira noite entre fazendas, ouvindo rock tradicional, canções e tudo o mais que a diversidade da cultura brasileira pode oferecer, ele decidiu convidar todos, cerca de 30 jovens, para um almoço na casa de sua irmã – a anfitriã da família. “Foi tudo muito de repente. Na volta para casa foi que percebi que não havia sequer avisado para ela. Liguei de madrugada mesmo, meu cunhando atendeu e ficou tudo acertado desse jeito mesmo, sem muita complicação”, conta.
O projeto foi executado sem pressa, entre uma demanda e outra de Milton Nascimento, que já tinha vários shows agendados, além de compromissos no exterior. “Convidei o Marco para dividir comigo a produção e foi um barato.” O repertório foi composto de acordo com o potencial de cada convidado. Algumas inéditas são de Bituca, outras dos “meninos de Três Pontas”, como ele gosta de chamar o grupo, e ainda algumas regravações de outros amigos, como João Bosco, Tunai e Vitor Ramil. “Cada um deu uma ideia. Ficou tão legal que tem hora que ouço e continuo me surpreendendo. Dá uma felicidade enorme ter concluído este projeto dessa maneira”, confessa.
De certa forma, Milton se sente responsável pela efervescência criativa da região. Referência local para todos eles, o cantor e autor de melodias que são verdadeiros patrimônios se orgulha de motivar nova geração de talentos. Ademir Fox Júnior está entre eles. O pianista, com quem Milton se encontrou recentemente em Nova York, mereceu inclusive convite do veterano para subirem ao palco juntos, em casa tradicional de jazz nos Estados Unidos. “Ele perguntou se eu estava ficando louco. Disse que não e que nem queria ensaiar. Ele me acompanhou em Encontros e despedidas e foi a música mais elogiada pela crítica, que gostou de ver um garoto tão jovem com tanta capacidade.” Felipe Duarte, diretor e músico do Anima Minas, que participou de oito faixas do disco, e Ismael Tiso também estão no grupo.
O disco recebeu o título …e a gente sonhando, nome de uma das primeiras canções de Milton Nascimento, escrita à máquina numa época em que ele caminhava com frequência pela Rua Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, em companhia de Márcio Borges. “Várias coisas me inspiravam: as árvores, as pessoas passando, a arquitetura.” O poema e a canção nunca foram gravados, mas, diante do sentido de renovação deste projeto e pelo valor das ideias de uma juventude mais bem preparada do que se imagina, Bituca recorreu ao antigo verso, como uma homenagem. “O mais jovem deles já havia cantado comigo. Foi um encontro maravilhoso, ver o mais novo ajudando na caminhada dos outros.”
À frente da Nascimento Música, ele gravou recentemente os discos de Marina Machado e de Pedrinho do Cavaco e se prepara para lançar o novo trabalho. Ele conta que inicialmente a empresa foi criada para revelar trilhas realizadas por Milton para cinema, teatro e dança, que não interessavam às gravadoras. “Fiquei tão chateado com isso que decidi abrir minha própria empresa. Não havia a intenção de gravar outros artistas, mas não posso deixar o pessoal assim. Sinto que tenho a responsabilidade de dar um pontapé inicial, que ajude essa meninada”, propõe.
Minas e o mundo
A segunda edição do Festival Música do Mundo, em Três Pontas, também será motivação para outros encontros. Assim como Milton, o cantor cubano Pablo Milanés participa da programação e já oficializou convite para ambos realizarem turnê juntos, pelo Brasil, ainda este ano. “Claro que aceitei o convite. Será um encontro memorável.” Com certeza Yolanda estará no repertório. A canção ganha nova personalidade com a maturidade dos intérpretes e as condições políticas da atualidade. Desde os anos 1970, quando se conheceram, lembra Milton, muitas mudanças ocorreram. “Sofremos muito para fazer shows durante a ditadura militar, principalmente sendo ele um cubano. Hoje o contexto é outro”, avalia.
Evento: Festival Música do Mundo
Local: Cidade de Três Pontas, Minas Gerais
Endereço: Praça Pref. Paulo de Paiva Loures (Praça do Centenário)
Data: 9 a 12 de setembro
Horário: A partir das 17:30
Ingressos:
Platéia 1: R$80,00
Platéia 2: R$35,00
Camarote 1 e 2: R$220,00 (serviços de buffet com comidas e bebidas durante 12 horas)
Informações: site
www.festivalmusicadomundo.com.br /
http://festivalmusicadomundo.blogspot.com
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