Festival 200 anos Schumann e Chopin
Fundação de Educação Artística realiza festival dedicado à música de Schumann e Chopin
Os 200 anos de nascimento de Chopin e Schumann serão lembrados esta semana em um festival na Fundação de Educação Artística. O evento reúne músicos e pesquisadores, especialistas nas obras dos dois mestres da literatura musical erudita, de hoje a sexta-feira, quando o público terá acesso a repertório amplo, com peças pouco interpretadas nacionalmente e outras mais conhecidas, em panorama que revela a genialidade dos compositores. Eles escreveram sonatas, prelúdios e baladas que permanecem vivas mais de um século depois de terem sido interpretadas pela primeira vez. Mais que técnicos, Chopin e Schumann foram dois defensores da sensibilidade.
“Saber escrever não é o que faz o poeta, mas a maneira como ele vive, como se comporta e a forma como observa o mundo”, diz o clarinetista canadense Dominic Desautels, na tentativa de definir o que torna especial o repertório de Schumann e Chopin, cujas criações foram decisivas para a história da música e influenciaram gerações.
Dominic é um dos convidados do festival e se apresenta com Jean Philippe Sylvestre, ao piano, também do Canadá, no encerramento da programação. O duo mostra Fantasiestücke, Op. 73, considerada uma das grandes obras do repertório de clarinete. “É uma peça muito difícil, não pela virtuose, mas pelo conteúdo artístico. Exige muito controle e maturidade. Schumann escreveu essa música praticamente sem considerar os limites físicos do intérprete, e este desafio a torna ainda mais especial”, comenta o músico.
Dominic e Jean-Philippe também interpretam Sonata para violino e piano nº 1, em lá menor, de Schumann, com transcrição para clarinete e piano escrita por Dominic. Momentos de delicadeza se alternam com situações de tensão e demonstram o temperamento conturbado do autor. “De repente explode o tormento, como se existissem dois personagens com personalidades muito distintas. Schumann estava conectado com o que há de mais profundo nas emoções, no sentido de humanidade”, diz o clarinetista.
DESAFIO
O pianista Eduardo Hazan abre o festival com série de baladas (sol menor, fá maior, lá bemol maior e fá menor) de Chopin. Vigorosas e contrastantes, elas exigem do intérprete energia, capacidade física e concentração, além de condição artística para lidar com a obra. “O envolvimento cerebral é muito intenso. Não é muito comum o público ouvir as quatro, em sequência, no mesmo programa. É preciso ter coragem”, diz Hazan.
Hazan também interpreta Sonata em si menor, de Chopin. “Toda a fantasia e o conhecimento musical dele estão nesta sonata, que é a segunda, e na terceira. Ele escreveu para o piano como quem conhece profundamente o instrumento. Chopin é um patrimônio da humanidade e sua música está mais viva do que nunca. O repertório que ele deixou não tem prazo de validade”, destaca.
Referência na música erudita em Minas Gerais, Berenice Menegale, pianista e diretora da Fundação de Educação Artística, apresenta os 24 prelúdios, op. 28, de Chopin. A obra é de singular importância pela liberdade com que trata as diferentes formas de conduzir a música. “Alguns são miniaturas, outros mais extensos, com estados de espírito bem diferentes. Tem momentos contrastantes, delicados, virtuosos. O conjunto é uma obra brilhante”, afirma Berenice, que os interpreta sem interrupção, da maneira como foi proposto originalmente pelo compositor romântico. Para ela, lidar com a música de Chopin é sempre “um desafio e uma satisfação”.
ERUDIÇÃO
Todos os dias, antes dos recitais e concertos, haverá uma breve palestra, ministrada pelo professor Guilherme Nascimento, sobre os compositores e os programas, chamando a atenção para elementos importantes nas trajetórias dos mestres. De Chopin, ele destaca a forma como sua obra influenciou toda a história da música que o sucedeu e a intensa comunicabilidade que estabelece com o público ainda hoje. De Schumann, o professor observa como se tornou a “fiel representação do gênio romântico”.
Além da oportunidade de ouvir interpretações de alto nível artístico, o festival oferece a chance de aprofundar conhecimentos, pelo acesso a rico panorama por meio da audição das obras, na avaliação de Guilherme Nascimento.
Evento: Festival 200 anos Schumann e Chopin
Local: Fundação de Educação Artística
Endereço: Rua Gonçalves Dias, 320, Funcionários - Belo Horizonte/MG
Data: 26 a 30 de julho
Horário: De segunda a sexta-feira, às 20h30
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Informações: (31) 3226-6866
CHOPIN
Frédéric Chopin nasceu em Varsóvia, na Polônia, em 1º de março de 1810. Morreu em Paris, em 17 de outubro de 1849. Aclamado como uma criança prodígio, aos 20 anos deixou sua terra natal rumo à França, onde fez carreira como intérprete, professor e compositor. É amplamente conhecido como um dos maiores autores de peças para piano e um dos pianistas mais importantes da história, pela técnica refinada e elaboração estética.
SCHUMANN
Robert Schumann nasceu em 8 de junho de 1810, na Alemanha. Foi criado em um ambiente literário, mas, a partir de 1830, passou a dedicar-se à música. Um dos maiores compositores da escola romântica, era considerado, no século 19, o “poeta do piano”. Suas obras revelam sua inspiração, com encanto, paixão e ingenuidade. Sua personalidade é complexa e multifacetada. Morreu aos 46 anos, depois de um confinamento em um manicômio.
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